Vinha, VALOR SEGURO

De 27 Janeiro, 2021 Vinha Sin comentarios
28.01.21.pt

Uma das virtudes do sector vitivinícola é a sua capacidade de autorregeneração e adaptação para ultrapassar as sucessivas crises que a história nos trouxe. Onde cada uma é diferente da antecedente, e esta é sem dúvida a que suscita mais incertezas.

Podemos superar uma crise de várias maneiras, onde por vezes precisamos de combinar ideologias. A reação mais imediata, e com eficácia de curto prazo, tende a ser focada na subtração. Ou seja, na redução de custos, contenção de custos, otimização de processos e RH para produzir mais com menos. Este tipo de ações apresentam um impacto imediato na contenção da crise, apesar de que, frequentemente acabam por trazer repercussões negativas, como o stress nas organizações sem garantir uma sustentabilidade no médio/longo prazo.

Desta forma, é necessário combinar as ações de subtração com outras que visam somar, ou seja, criar valor para garantir a sustentabilidade no médio e longo prazo.

Podemos criar valor com novos produtos, novas formas de consumo, técnicas ou aplicações inovadoras, à procura de novos mercados, etc. Embora que, muitas das vezes nos esquecemos que o primeiro espaço onde podemos criar valor, é na vinha.

De todas as ações que podemos realizar na vinha, a nutrição racional do solo e da planta é talvez a que mais nos pode ajudar a criar valor. Valor financeiro e valor organolético.

O valor financeiro está diretamente ligado ao rendimento nas uvas de uma qualidade definida. Existem diversas vinhas que ao longo dos anos vão decaindo e produzindo abaixo das suas possibilidades, porque têm um complexo húmico-argila esgotado, ou um sistema radicular bloqueado ou por vezes certas deficiências minerais. O conceito de que “produzir uvas de qualidade é produzir pouca quantidade” é uma convicção que concebemos para nos justificar. Dentro dos limites fisiológicos e climáticos, uma vinha racionalmente nutrida terá sempre um desempenho melhor do que outra que está em sofrimento.

O valor organolético está ligado à qualidade da uva, ou seja, temos de garantir que as uvas consigam produzir tudo o que o nosso vinho exija. pH, acidez, málico, azoto, GAP, gordura, estrutura, precursores…. A maioria dos desvios ou deficiências nestes parâmetros podem ser corrigidos na adega, se bem que, perdemos valor: financeiro devido ao custo das correções e organolético devido ao menor desempenho das soluções exógenas.

Uma vinha equilibrada, num solo vivo e com um sistema radicular ativo é uma fonte de valor. Além de produzir mais e melhor, ficará mais resistente às intempéries e às ameaças criptogâmicas anuais.

Para atingir este equilíbrio de forma orgânica e sustentável é necessário perguntar à vinha (analisar) o que precisa para funcionar bem, tal como o fazemos quando vamos escolher uma barrica ou decidimos o tipo de clarificação:

  • O que precisa o solo para ter um complexo húmico-argila suficiente e um sistema radicular ativo?
  • O que precisa a planta para se desenvolver desde a brotação até ponto em seja capaz de se alimentar?
  • O que precisa a planta para completar uma boa floração e frutificação?
  • O que precisa sua planta para atingir a maturidade desejada?

Com algumas análises simples do solo, sarmentos e pecíolos, compreenderá melhor como funciona a vinha e as suas necessidades, de forma a cumprir a sua missão de criação de valor.

A análise do solo pode ser realizada a qualquer momento. Enquanto que, os sarmentos devem ser analisados com a videira em hibernação nomeadamente antes da poda. Por último, as analises aos pecíolos devem ser realizadas entre a fase de abrolhamento e da floração.

Todavia faltam ainda alguns meses para poder atuar com corretivos ou fertilizantes orgânicos no solo e planear um reforço foliar nos primeiros estágios vegetativos se necessário.

Como se encontra a tua vinha?

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