O PINTOR, O INÍCIO DA EXPEDIÇÃO À MATURAÇÃO

De 25 Junho, 2020 Vinha Sin comentarios
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Já deveis ter notado, que este ano o caminho da maturação não será fácil, 2020 está a tornar-se em um auto-exame da natureza.
As videiras desenvolvem-se com um bom vigor e apesar das adversidades conseguiram vingar a flor, podemos dizer que se há gerado o nosso vinho e começa agora a excitante expedição para levar as uvas à sua ótima maturação.
Alcançar o topo da maturação em boas condições já é difícil, quaisquer podem chegar, o problema é em que estado? Frescas e turgentes ou desformadas?

Para que a uva chegue fresca ao cimo da maturação, a videira deve estar bem preparada e abastecida no estado fenológico do pintor. Aqui a forma já está fundida e já não podemos fazer algo mais pela qualidade da uva do que esperar que o clima se comporte bem para alcançar o topo.
Mas se até ao pintor podermos atuar? O caminho desde a alimpa até ao pintor é metabolicamente muito exigente para a videira, as folhas fazem jornadas de fotossíntese com o solstício e as raízes dão tudo (se a temperatura do solo o permitir) para adicionar os nutrientes necessários, sobretudo os que têm picos de absorção em este período: K, Ca, N, Mg.
Desde a alimpa ao pintor a videira tem que:
• Engordar a uva para alcançar o bago de ervilha e crescer até fechar bem o cacho;
• Começar a síntese de pigmentos, taninos, proteínas e precursores aromáticos;
• Começar a carga de açúcares nos bagos;
• Preparar-se para resistir ao stress climático.
A adaptação ou não às condições climáticas da colheita e da maturação em melhores ou piores condições depende de seu vigor e do seu equilíbrio nutricional.
Este ano é muito peculiar. Solos frios que limitam a atividade radicular e muito lixiviados pelas excessivas chuvas, vigor elevado, oligoelementos no mínimo, alguns desequilíbrios nutricionais, humidade alta em época da floração e muita pressão de míldio.
Portanto, o ano tem todos os números para provocar acidentes de maturação como a desidratação do engaço (causado por excesso de N, desequilíbrio K/Mg, carência de Mg) ou uma maturação heterogénea ou insuficiente (excesso de vigor e deficiências de K).
Quando um ano é fresco e húmido a uva demora a maturar, não porque faz frio, mais cedo ou mais tarde as integrais térmicas cumprem-se, é mais provável que seja por falta de K para suportar todo o vigor que se há desenvolvido.

Entre a alimpa e o pintor, ainda temos a oportunidade de ajudar a videira a superar os seus desequilíbrios e chegar ao seu objetivo com aplicações foliares de adubos orgânicos.
Até 50% do pintor podemos trabalhar sobre:
•A resistência da pelicula adicionando Ca
•Melhorar a fotossíntese evitando a clorose
•Evitar a desidratação do engaço adicionando Mg
E até ao final do pintor:
• Favorecer a maturação e a sua homogeneidade ajudando à absorção do K
• Aumentar o azoto assimilável no mosto
A frescura, a harmonia, a fruta, a gordura… do vinho, tudo, se vai desenvolver durante esta etapa, avaliando e seguindo muito de perto a fisiologia da videira, interpretando e atuando em consequência, é assim, como podemos obter grandes uvas para grandes vinhos.

BOM PINTOR!!!

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